Por que repensar?

 Por que repensar?

Por Lauro E. Bernardi*

Em março de 2012, durante a Conferência Estadual de ATER realizada em Porto Alegre, o professor Eros Mussoi realizou um painel de abertura intitulado “Política Nacional de Extensão Rural: avanços e desafios”.  A apresentação teve como base seu pós-doutorado onde entrevistou atores sociais do MDA, Incra, Ongs, Embrapa, Universidades e 12 Institutos ou Empresas de Extensão que executam assistência técnica e extensão rural pública. 

Recorto desta apresentação três gargalos apontados como entraves ao avanço da PNATER que ele identificou junto aos Institutos e empresas de extensão rural vinculadas aos Estados.

  • Processos de gestão não reservam espaços claros para a gestão social;
  • Posturas centralizadoras, antidemocráticas e personalistas de gestão não proporcionam a possibilidade de empoderamento de agricultores(as) e mesmo dos funcionários;
  • Qualificação dos gestores públicos deficiente diante dos novos desafios (indicações, na maioria das vezes, puramente político-partidária).

Enquanto contribuição à superação daquela realidade identificada o painelista deixou naquele evento recomendações da necessidade de ampliação da democracia institucional e da necessidade de processos mais transparentes e democráticos de definição de dirigentes.

Passados dez anos da apresentação pública dessa pesquisa, vejamos a percepção dos trabalhadores da Emater RS quanto á democracia interna e externa, recortadas da pesquisa realizada pela nossa Associação.

O gráfico abaixo à esquerda evidencia a percepção de 1/3 do quadro funcional que retornou a pesquisa indicando “como percebe hoje o diálogo interno (entre distintas unidades operacionais e agentes de extensão rural) nesta perspectiva de presente e futuro dos serviços de ATERS”. Já no gráfico à direita, por sua vez, evidencia “como o corpo funcional percebe o diálogo sobre presente e futuro da ATERS com segmentos representativos da agricultura familiar e da sociedade gaúcha”.

A leitura simples destas manifestações associada a principal ameaça externa da FOFA, em que 79% dos respondentes apontaram que a indicação política dos gestores sem perfil adequado pode dificultar o desenvolvimento da ATERS, ratifica com atualidade o alerta deixado pelo professor Eros Mussoi.

Por esta e outras razões, considero necessário repensar a Emater RS. Por mais democracia e controle social. Por uma Emater qualificada e forte!

*Lauro E. Bernardi, Engenheiro Agrônomo da Emater/RS-Ascar