ASAE ENTREVISTA: Paulo Roberto Moreira Ene

 ASAE ENTREVISTA: Paulo Roberto Moreira Ene

Na semana de aniversário dos 37 anos da Asae, entrevistamos ex-dirigentes da associação, pessoas que fizeram parte da construção dessa história de quase quatro décadas.

E para começar essa série de entrevistas, conversamos com o primeiro presidente da Asae na gestão 1984/1985, Paulo Roberto Moreira Ene.

Veja as respostas abaixo:

Como você enxerga a criação da Asae?

R: Os direitos trabalhistas à época [em meados de 80, período da fundação da Asae] eram basicamente aqueles admitidos na CLT. Entretanto, saltava aos olhos da maioria que algumas reivindicações eram essenciais para o crescimento profissional, social e financeiro dos funcionários e tinham de ser apreciadas pela diretoria da Emater. Uma organização que pudesse sentar à mesa junto com os dirigentes da Ascar/Emater para discutir as demandas mais prementes do quadro funcional já vinha, há tempos, aflorando nas reuniões de extensionistas e do pessoal administrativo. A memorável assembleia na PUC em 1984 foi o coroamento de um anseio coletivo. Adicional de insalubridade, plano de cargos e salários e salário mínimo profissional eram as primeiras batalhas dos funcionários e, logicamente, houve atritos sérios com a diretoria, já que não estavam acostumados a ter que lidar com uma representação tão expressiva do quadro funcional. Mas foram bons tempos aqueles, pois as pessoas de ambos os lados sentavam à mesa e discutiam de forma clara e leal, sem subterfúgios ou falsidade.
 

E como vê a Asae hoje?

R: A importância de uma representação abrangente dos funcionários foi, é e sempre será fundamental para o crescimento da Instituição Ascar/Emater e seus funcionários. Claro que as demandas se renovam e, por esta razão, sempre será necessária a paridade nas decisões institucionais, principalmente quando os orçamentos governamentais são cada vez mais restritos e restritivos. Sempre haverá lutas, desafios e obstáculos a serem ultrapassados.

Em relação à extensão rural, como avalia o atual momento da Emater/RS-Ascar?

R: Honestamente falando, sou um ex-funcionário que raras vezes voltou ao escritório. Isso por entender que se deve dar passagem aos mais jovens e não querer ficar dando “pitaco” em algo que já não te pertence mais. Então, não sei muita coisa sobre o momento atual da extensão. O que sei é o que volta e meia aparece na imprensa ou nas redes sociais e, sinceramente, me preocupo quando algumas coisas não saem do lugar, apenas são procrastinadas, como é o caso da caracterização da filantropia da Emater e da possível dívida impagável para com a Previdência Social. Outra coisa é a eterna batalha para demonstrar a importância da extensão rural para com os produtores rurais, especialmente os pequenos, frente aos governos cujos orçamentos são cada vez menores para essa rubrica. Acredito que quando a extensão for uma prioridade real e não somente no papel, as coisas poderão ser mais fáceis, mas não sei se isso se concretizará um dia.

Como está vendo a relação dos governos Federal e Estadual com a Emater/RS-Ascar?

R: Acho que na resposta anterior falei um pouco sobre isso, a filantropia e a dívida previdenciária são com o Governo Federal que pouco faz para resolver de vez o impasse o qual deixa uma insegurança muito grande para todos os envolvidos como os funcionários, a diretoria e os produtores rurais e suas famílias. Já o governo estadual, pelo que sei, aperta cada vez mais o orçamento para a Emater. Ouço aqui e ali que, às vezes, faltam recursos para despesas básicas de custeio, algo que, se verdade, é um entrave frustrante para obter bons resultados de extensão rural. Eu e mais 400 funcionários sentimos na carne o verdadeiro desmonte da Emater ocorrido em 2007. Ali foram demitidos competentes profissionais que não tiveram sequer a oportunidade de repassar a sua experiência e mesmo suas áreas de atuação para os que ficaram ou os que vieram a substituí-los. Então, se deduz que dizer que a extensão rural é uma prioridade soa como retórica, pelo menos foi assim em outros tempos, mas me representa que pouca coisa mudou. Tomara que esteja equivocado. A nossa classe foi forjada nesse ambiente de dificuldades, o que nos deu têmpera para enfrentar e ter criatividade para contornar os obstáculos e, assim, vamos em frente, até porque o nosso público alvo espera isso de nós.